O que é design mesmo?
Em uma acepção bem específica, design se refere à profissão da pessoa que projeta. Como tal, tem diversas especializações, de acordo com o tipo de coisa a projetar. O profissional que trabalha na área de design é chamado, portanto, de designer, visto a palavra pertencer à língua inglesa e normalmente não se traduz.
Design é, portanto, um esforço criativo através do qual se projetam todo tipo de coisas, incluindo utensílios, vestimentas, peças gráficas, livros, máquinas, ambientes e (recentemente) também interfaces de programas.
O termo deriva, originalmente, de designare, palavra em latim, sendo mais tarde adaptado para o inglês design. Houve uma série de tentativas de tradução do termo, mas os possíveis nomes como projética industrial acabaram em desuso. As especializações mais comuns são o design de produto, design gráfico e o design de moda. Conheçamos agora um pouco mais de algumas das sub-áreas nas quais o design se vincula.
O Design de moda é uma das áreas do design que tem como objetivo o desenvolvimento de vestuários humanos respeitando todas as características culturais, técnicas, mercadológicas, de moda ou tendências.
A história da moda na Antigüidade começava com os sumérios e egípcios. Até então pensava-se que comunidades com mais de 4.000 anos eram nômades, caçadores vestidos de peles, com a única intenção de sobrevivência, sem a menor preocupação com a moda ou a arte. As habitações mostravam o papel de destaque da mulher: eram funcionais, com plataformas nas paredes que faziam a vez de camas. A mais importante era a da dona da casa, que ocupava um lugar de destaque no ambiente familiar. Já aquela destinada ao homem era de dimensões mais reduzidas e ocupava um canto da peça.
Esta era uma sociedade que dava valor à moda, como é possível confirmar pela existência das jóias de cobre e chumbo, das vestimentas em tecidos coloridos com tinturas vegetais, fivelas de cinto, esteiras e tapetes finamente tecidos. Outro exemplo antigo da preocupação com a moda e a peças de obsidiana e âmbar com cerca de 10.000 anos de idade. O cobre era usado há 10.000 anos para a fabricação de jóias, apenas há 4.000 anos passou a ser utilizados em peças mais utilitárias como armas e ferramentas.
O Design de moda no Brasil tem evoluido nas últimas décadas. Na décadas de 60 e 70 um nome marcante foi a Zuzu Angel. Mais recentemente nomes como Fause Haten e Alexandre Herchcovitch contribuem internacionalmente para a área.
O Design de produto, também chamado projeto de produto ou desenho industrial, lida com a produção de objetos e produtos tridimensionais para usufruto humano. Um designer de produto lidará essencialmente com o projeto e produção de bens de consumo ligados à vida cotidiana (como mobiliário doméstico e urbano, eletroeletrônicos, automóveis e outros tipos de veículos, etc) assim com com a produção de bens de capital, como máquinas e motores.
O Design de produto, dada a sua relação com os processos de produção industriais e sua origem na Revolução Industrial, começa a se delinear no Século XIX, especialmente com os textos teóricos ligados ao movimento Arts & Crafts que enxergava na produção artística um guia para a produção industrial. Da mesma forma que o Design Gráfico, porém, ele ganha maturidade e sofre uma profunda revolução com as experiências feitas na Bauhaus, no início do Século XX, praticamente definindo a noção atual da profissão.
O design é uma atribuição de valor identificado pelo mercado e transformado em atributo físico do produto. O Design de produto ou Desenho Industrial é uma atividade voltada para o Projeto e a Produção Industrial, ou em série, -- ou até mesmo o Manufatura.Os principais conhecimentos utilizados no design de produtos são a metodologia de projeto, as técnicas industriais e os materiais existentes.
O design de mobiliário, é uma vertente do design de produto e uma das áreas de maior importância no design de produto brasileiro, pois o mobiliário brasileiro é um dos poucos bens de consumo duráveis que é exportado. É também uma área em que arquitetura e design de produto se entrelaçam.
Há ênfase em detalhes e materiais. Tanto que está diretamente relacionada à Decoração de Interiores. Segundo o funcionalismo, o design de mobiliário tem sido trabalhado superficialmente (menos funcionalidade e mais estética). Por exemplo, o trabalho dos Irmãos Campana, que procuram originalidade na escolha dos materiais.
As funções do móvel dependem do ambiente onde ele será colocado (residência, escritório, escola, meio urbano etc). Para fazer um projeto é preciso pensar nas funções do objeto naquele ambiente e qual é o usuário (no caso de móveis para escola, por exemplo, crianças).
Design gráfico
O design gráfico é uma forma de comunicação visual. É o processo de dar ordem estrutural e forma à informação visual, trabalhando frequentemente a relação de imagem e texto. Podendo ser aplicada a vários meios de comunicação, sejam eles impressos, digitais, audiovisuais, entre outros.
O profissional que realiza esse tipo de função é o designer gráfico. Mesmo existindo uma formação específica para essa área, vários tipos de profissionais atuam como designers gráficos - notoriamente os publicitários especializados em design gráfico assim como ilustradores e artistas gráficos. Entrentanto é preciso entender que o design gráfico diferente da publicidade ou de outros exemplares de “trabalhadores gráficos” não tem visa apenas o cunho apelativo, marqueteiro. O design gráfico se baseia em processos projetuais os quais tem por finalidade culminar na efetivação de respostas gráficas embasadas aos problemas pré-estabelecidos no começo do processo.
Atualmente, com o desenvolvimento da internet e da teoria do design de informação, há uma preocupação maior com a informação e o papel do usuário no design gráfico.
O design de embalagens, é uma vertente do design de produto e do design gráfico. No maioria das vezes o designer de produto é reponsável pela forma da própria embalagem, considerando problemas de ergonomia e estética tri-dimensional. Enquanto o designer gráfico trata do rótulo da embalagem, onde o produto é apresentado graficamente.
A embalagem comercial não é apenas um meio de armazenamento e transporte de um produto, mas é um objeto que possibilita aos consumidores uma relação afetiva individual com o produto.
A embalagem é a identidade da empresa a qual ela representa e em muitos casos é o único meio de comunicação do produto. O bom design de embalagem pode garantir uma boa comunicação com o consumidor, informando sobre o produto e expondo seu caráter. De acordo com a pesquisa setorial ABRE/FGV, para muitos consumidores a embalagem é o objeto que identifica simbolicamente o produto. Uma pesquisa do Comitê de Estudos Estratégicos da ABRE mostrou que o consumidor não dissocia a embalagem do seu conteúdo, considerando os dois como constituintes de uma mesma entidade indivisível. Sendo assim a embalagem é ao mesmo tempo expressão e atributo do conteúdo. Exemplos disto são o frasco de perfume, o extintor de incêndio, a caixa de lenços de papel, a caixa de fósforos, dentre outros, como a garrafa da Coca-Cola e o frasco do perfume Chanel nº 5, que tem suas formas patenteadas.
Enfim, estas são apenas algumas das ramificações deste termo tão abrangente que é o “design”. Facilmente confundido com um simples adjetivo falado despreocupadamente pelas mais variadas bocas descontextualizadas da atualidade, o design é na verdade um termo que antes de tudo cunha a necessida da tríade problema- pesquisa- projeto.Ele não é um mero agregador de valor superficial, mas sim um dos fatores que diferencia um bem pelo seu caráter de funcionalidade agregado a beleza objetiva. Design não é feito para vender, ou melhor, não apenas. Design é feito pensando nas pessoas, no uso, no fim ao qual ele é solicitado.
por: Ana Paula Bet - Designer Gráfico | ModaMais
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