Comportamento

Quinzena Gastronômica

Foto: Carolina Pegorini pto  Em tempos de Quinzena Gastronômica em Pelotas, nada melhor e mais apropriado do que falar sobre gastronomia. A apuração da arte culinária ganha enfoque especial nesta época do ano desde 2004, quando 30 restaurantes são selecionados por bem atender aos critérios de qualidade exigidos na preparação da comida, no atendimento, na higiene do ambiente e na conseqüente satisfação do cliente. A intenção por trás da idealização desse grandioso projeto é destacar a cidade entre a região sul do Estado pela ampla variedade culinária a ser degustada, mostrando aos pelotenses e aos visitantes que a Princesa do Sul tem o dom de conquistar pelo estômago.

Como amante inveterada de massas e doces em geral, e compulsivamente curiosa para experimentar os mais variados pratos oferecidos nos restaurantes e lancherias da cidade, ultimamente tenho me deixado levar – mais que o costume – no apelo que o leque de estabelecimentos de Pelotas faz ao meu apetite. Logo que soube que estava iniciando mais uma Quinzena, tratei de ficar de olho nos restaurantes que iriam participar, ávida para saber quais seriam as receitas sugeridas por cada um deles e escolher aquelas que gostaria de provar.

Em 17 de Outubro, teve início a sexta edição da Quinzena Gastronômica, e fui jantar pela primeira vez na Parrillada Mercado Del Puerto, um dos restaurantes selecionados. Quando cheguei, fui conquistada quase instantaneamente pela atmosfera calorosa do local – tanto pela cordialidade no atendimento quanto pelo fogo que crepitava na imensa lareira do primeiro ambiente, em contraste com o vento frio que assobiava na rua. Dirigi-me a uma mesa no segundo ambiente, onde a temperatura estava um tanto mais amena, graças à salamandra instalada em um dos cantos da parede. O cardápio sugeria a escolha do Entrecot a la Pimienta Verde; porém, tanto eu quanto meu excelentíssimo namorado, que é companheiro fiel para qualquer programa gastronômico que eu invente, ficamos um pouco inseguros com a tal pimienta verde, o que nos levou a escolher uma opção semelhante: Entrecot a la Don Eduardo. Acertamos em cheio! A carne, com uma generosa fatia de queijo derretido por cima, veio temperada na medida certa, totalmente macia e exatamente no ponto a que pedimos: a dele mal-passada, e a minha bem-passada. Para a entrada, coraçõezinhos de frango, que vieram divididos em três espetinhos; como acompanhamento, uma porção de arroz e outra de um delicioso salpicão de frango; e para beber, um suco natural de pêssego feito na hora. Quase pedimos também uma porção de cebola recheada com presunto e queijo; porém a garçonete foi espirituosa o bastante para mencionar que esse prato vinha em quantidade bastante generosa (portanto, todos os pedidos juntos resultariam em muita comida para apenas duas pessoas), e que a política do estabelecimento era de avisar os clientes sempre que possível a fim de evitar o provável desperdício de comida. Agradecemos e inclusive elogiamos a atitude. Saímos de lá completamente satisfeitos com o ambiente agradável, com o cardápio escolhido, o excelente atendimento e o preço. Tudo nota 10.

Querendo ainda conferir outros restaurantes e suas respectivas iguarias, começamos a lembrar daqueles que eram os que mais gostávamos de freqüentar. E foi com algum espanto que soube que um dos meus locais favoritos não estava participando da Quinzena. Refiro-me ao Croasonho Café.

Na última quarta-feira, dia 21, estivemos lá para almoçar. Chegamos um pouco cedo, então foi possível escolher a mesa antes que a maioria dos clientes diários chegasse. O primeiro ambiente, envidraçado rente à calçada da XV, conta com iluminação natural e é composto de diversas mesinhas quadradas com tampo de granito, dispostas para acomodar duas pessoas, ou várias mesinhas agregadas para receber um grupo maior; as cadeiras são bastante confortáveis. A parede ao lado da porta de entrada tem espelhos retangulares horizontais em praticamente toda sua extensão. Há um segundo ambiente que funciona como sala de espera para que os clientes aguardem uma mesa, e é composto por dois pufes quadrados, um sofá de dois lugares em frente a uma tv e uma mesinha de centro, sobre a qual há várias revistas. O terceiro ambiente, mais ao fundo, possui um balcão com bancos altos, para aqueles que preferem degustar sua refeição longe da vitrine, e ainda algumas poucas mesas.

Foto: Carolina PegoriniA garçonete cumprimentou com um sorriso e trouxe o cardápio, o qual estudei demoradamente, um tanto indecisa por saber que quase todos os croissants agradariam demais ao meu paladar. Sabendo por experiência anterior que o meu já-não-tão-pequeno estômago poderia comportar somente os pratos pequenos (sob pena de ter que abrir mão da sobremesa, hipótese essa absolutamente impossível na minha concepção), optei como almoço por um croasonho de tomate seco com mussarela, acompanhado de uma limonada suíça com leite condensado – quem me conhece sabe que raramente dispenso uma bebida doce, combinando ou não com o prato principal. Meu excelentíssimo namorado pediu o tradicional prato júnior, composto de uma porção de arroz com filé e - literalmente simpáticas - batatas sorriso, que experimentei e achei deliciosas. Mas não troco pela massa folhada do croissant, que caiu perfeitamente para aplacar meu apetite italiano por massas – ainda que a receita original dos croissants seja austríaca, e não francesa como soa aos ouvidos. Imaginei que o leite condensado contido na limonada seria suficiente para torná-la muito doce, mas não foi o caso: era consistente, sem deixar de ser cítrica. Perguntei a razão à garçonete, que explicou-me que o limão é batido com casca no liqüidificador. Fez toda a diferença, positivamente falando.

Minha sobremesa: outro croasonho (claro!) pequeno, de Prestígio: recheado com côco e quase totalmente coberto de chocolate preto derretido. Desmanchava na boca, sem precisar mastigar muito. A dele: petit gateau. Ambas de tirar o fôlego dos apaixonados por doces não-repunantes. O resultado desse almoço, além da plena satisfação, foi que minha barriga só veio a roncar novamente por volta das 21hs.

Participando ou não da Quinzena, o Croasonho Café merece os parabéns. O Mercado Del Puerto foi mais do que aprovado, e pretendo retornar até lá em breve. Ainda não sei qual será o próximo restaurante que irei, mas fiquei contente por ter sido estimulada por esse projeto a ir a um estabelecimento pela primeira vez; creio que, sob esse agradável pretexto, escolherei outro para conhecer, e desta vez ficarei atenta à receita sugerida. A única coisa de que posso ter plena certeza, é que os ponteiros da minha balança não serão mais os mesmos após o dia 31 de Outubro, quando então se encerrará a sexta edição da Quinzena Gastronômica.



Por: Carolina Pegorini | ModaMais

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