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Lado a Lado?
 Ao observar alguns relacionamentos, fico realmente intrigada com a capacidade fácil e natural do ser humano de "ir e vir"; de conseguir desestruturar espaços - que foram entregues as estes de coração -; de fechar portas - mesmo que seja para voltar dentro de um curto espaço de tempo - e de fazer tempestades insignificantes. Essas coisas me fazem pensar na valorização de detalhes, na importância grandiosa que se dá, em um primeiro momento, aos presentes abstratos de um relacionamento. Infelizmente, parece-me que pouco depois estas “pequenas grandes” demonstrações de carinho, tornam-se um tanto alquebradas pelo amoldoamento que o senhor tempo nos doa como um grande presente grego. |
Todavia, hipocrisias à parte, não podemos depositar toda a culpa na cronologia dos relacionamentos. Muitas vezes a responsabilidade é de nossos instintos natos de defesa, misturados a uma pequena parcela de egoísmo para com o outro e algumas pitadas de orgulho - sentimento que julgo ser inútil e
austero, porque é puramente egoísta, mas que, infelizmente, todos nós o possuímos.
Por outro lado, se analisarmos nossos ideais de união, percebemos que não haveria motivos para termos um mecanismo de defesa - um escudo - contra a criatura que escolhemos para estar ao nosso lado, confiando e dividindo nossos afetos e grande parte da nossa vida, ou toda ela. Porque isto acontece, então? Talvez a resposta esteja em uma simples frase que, um dia, ouvi de um sábio: “Apenas pode nos fazer muito mal, quem pode nos fazer muito bem...".
Lamentavelmente posso atribuir, certamente, todos os tipos de fuga, citados acima, a um tipo de sentimento que pode nos paralisar ou fazer com que deixemos para trás situações sem resolução: o medo. Medo de ser inadequado, medo de ser rejeitado, medo de sofrer mais e até mesmo de perder, perder razão, perder o pouco controle que ainda resta em determinada situação, e o pior: temor de perder quem amamos justo naquela determinada hora tão delicada onde os ânimos encontram-se exaustos e todas as emoções desordenadas.
Acredito que, neste tipo de circunstancia, o melhor que podemos fazer é tentar, mesmo sendo difícil, colocarmo-nos um pouco no lugar do outro, para que possamos reparar que, nem todo nervosismo, agitação, e irritabilidade são formas de ataque, menos ainda rompimento de elo, mas, sim, uma manifestação de emoções que realmente são impossíveis de não serem expressas, naquele momento. Este ato nobre de desligamento das próprias emoções e atenção sobre a outra parte, acalma e ameniza qualquer instabilidade. Entender os processos do parceiro é extremamente necessário.
Sendo assim, não posso deixar de afirmar que cumplicidade, afinidade, tolerância e o dom de perceber o indivíduo são qualidades, extremamente, primordiais em qualquer relação, mais ainda nas conflitantes.
O que devemos introjetar, a partir de nossas vivências, é que em todas as relações, nunca há certo ou errado; existem, sim, simplesmente duas razões diferentes...
Texto:
Josi Puchalski
Acadêmica de psicologia
josipuchalski@hotmail.com
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