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Foto: Fernando Duran Altos e baixos

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Assim como existe um lado lunar para cada lado solar, existe, também, um lado bom e um lado mau em cada um de nós. E, como as máscaras gregas que simbolizam o teatro, a vida de um maníaco-depressivo oscila entre cenas de tragédia e comédia ou com episódios mistos. São dois pólos de uma mesma fonte de energia, das duas faces de uma mesma moeda, que rodopia e não se sabe ao certo em qual lado vai cair: Alegria ou tristeza? Cara ou coroa? - Uma viagem permanente entre o céu e a terra, sem pré-aviso.
  A doença bipolar (ou mania-depressão) caracteriza-se por uma alternância de estados de extrema excitação com estados de profunda depressão. Pensa-se que, o que está na origem das crises, seja uma falha na estabilidade da transmissão dos impulsos nervosos ao cérebro, o que tende a tornar os doentes mais vulneráveis a situações de estresses físicos ou emocionais.
  Em regra, a primeira crise é provocada por um choque emocional forte, uma ruptura afetiva, uma morte, um divórcio, etc. Os episódios podem ser graves, moderados ou leves e têm uma duração muito variável. Há pessoas cujas fases maníacas ou depressivas duram algumas horas, podendo durar dias e, em outras, pode durar meses. Da mesma forma, alguns pacientes que apresentam esses casos podem ter uma ou duas crises graves durante toda a vida, enquanto outros recaem repetidas vezes no mesmo ano.
  Nos períodos de mania, os doentes apresentam sintomas de euforia, excesso de autoconfiança, otimismo exacerbado, megalomania, ausência de sono sem que isso provoque fadiga, hiper-atividade física e mental, discurso acelerado, comportamento irresponsável, gastos excessivos e delírios, em casos mais graves.
  Por oposição, nos períodos de depressão, os sintomas oscilam entre a tristeza prolongada e uma inexplicável vontade de chorar,  pessimismo, indiferença, ansiedade, agitação, irritabilidade, dificuldade de concentração, indecisão, desinteresse pelas atividades que antes davam prazer, dificuldade nos relacionamentos e pensamentos suicidas.
  Tem-se observado cada vez mais, que uma parcela significativa da população sofre de oscilações de humor maiores do que o normal (cerca de 10% da população), com diferentes graus de prejuízo. Em vez de serem reconhecidas e tratadas por apresentar formas atenuadas de bipolaridade, estas pessoas recebem, comumente e equivocadamente, diagnósticos de depressão, ansiedade, déficit de atenção e hiper-atividade, abuso de drogas ou de transtornos de personalidade. Um diagnostico errôneo pode levar o doente ao suicídio, pois um antidepressivo utilizado por bipolar pode levar à fase maníaca exagerada e um ansiolítico pode levar a uma profunda depressão.
  Para finalizar, considerando-se este novo enfoque, julga-se provável que a bipolaridade seja o transtorno psiquiátrico de maior impacto social e econômico da humanidade, ou seja, inclusive maior do que a depressão unipolar, estresse ou qualquer outro quadro de transtorno do gênero.


ptoTexto:
Josi Puchalski
Acadêmica de psicologia
josipuchalski@hotmail.com

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