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Realidade e escolha.

pto  Quando as pessoas não se transformam no que nós queríamos, isso não significa que elas sejam más. As pessoas vão ser o que são, seja lá o que fizermos. Se não soubermos disso, estaremos nos preparando para o sofrimento e para a frustração. Em todos os tipos de relacionamentos, é nosso dever ver quem a pessoa é para então aceita-la como é – ou afasta-la da nossa vida.
   Não é nossa função na vida julgar o que é certo ou errado para os outros. Quando outra pessoa se comporta de um modo que nos parece pouco saudável ou improdutivo, não devemos julgar. Devemos aprender a aceitar que ela é daquela determinada forma.
Depois de aceitar este fato, temos o direito de pesar os acontecimentos e resolver se queremos ou não aceitar a pessoa ao nosso lado. Quando alguém se comporta de determinada maneira, não podemos nos enganar ou ignorar o comportamento e o que ele provoca em nós. Podemos perguntar à pessoa os motivos que a levam a ter tal conduta e sugerir que ela se comporte de outra forma. Mas não podemos concertar ou mudar a pessoa. É ela quem tem que fazer isso. Se optar por este caminho.
Quando não queremos nos enganar, sabemos perfeitamente quando as pessoas estão sendo nocivas a nós dentro de uma relação. Quando as coisas dão erradas, perguntamos à pessoa: “Por que você sempre faz isso”? A pergunta certa seria: “Por que permito que você faça isso comigo?” Ignorar o que sabemos ser verdade sobre as pessoas e situações é sinal de que nos falta vontade de aceitar as coisas como realmente são. Isso resulta em desapontamento, pelo qual culpamos os outros.
Nós nos sentimos traídos quando as pessoas fazem as coisas de um jeito que entra em conflito com o nosso modo de ser. Sentimo-nos vítimas. Por quê? Já sabíamos que elas eram assim. Esperávamos que tivessem mudado ou, pelo menos, que não fossem nos fazer isso outra vez? A verdade é que as pessoas nem sempre querem nos agredir. Elas estão apenas sendo o que são e fazendo o que fazem! Não devemos encarar suas atitudes como algo dirigido intencionalmente a nós.
Aceitar não significa gostar do que vemos ou do que está acontecendo. Significa ver a realidade tal qual como é e optar por como vamos reagir e escolher qual é o melhor caminho para nós. Um dos desafios da aceitação é que não sabemos como dizer, nem o que dizer para determinada pessoa quando discordamos do comportamento dela. Não gostaríamos de ofendê-la, apenas queremos expressar como nos sentimos em relação a alguma ação dela. A melhor maneira de executar esta tarefa é construir autoconfiança. A construção deste sentimento é baseada em reflexão sobre o que dizer e depois dizer. Por fim, acredito que o grande alicerce da autoconfiança é acreditarmos sinceramente que podemos ser muito felizes acompanhados, mas também sozinhos, se for o mais adequado.


ptoTexto: Josi Puchalski
Acadêmica de psicologia - josipuchalski@modacidade.com.br

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